Plataforma de trabalho para o período 2016-2018

Roberto Scerpella

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Amigos e colegas

Recebi da Sociedade Peruana de Psicanálise o encargo de assumir a presidência da FEPAL (gestão 2016-2018), por meio de uma eleição em que todos os membros da nossa instituição participaram. A situação que levou a minha indicação me fez refletir e me convenceu de sua viabilidade. Penso que é bom e fecundo que os membros da instituição tenham uma participação ativa na indicação de seus representantes. Desta maneira se estreita o vínculo entre os dirigentes e seus membros constituintes, algo que temos de trabalhar de maneira árdua em nossas instituições psicanalíticas. A desconexão com nossas lideranças não propicia a criação de um sentimento de pertença e compromisso que a Federação deve ter com seus membros. Sabemos que este é um tema ao qual já se tem dedicado tempo de reflexão e que acreditamos que deva continuar. É sempre bom pensar em maneiras que possam tornar a FEPAL uma instituição mais dinâmica e mais próxima de seus membros que, em última análise, somos todos nós somos psicanalistas da região.

Pensamos que a preocupação com a comunicação deva ser uma tarefa central de nossas ações, tanto internamente como para o exterior da nossa instituição. O isolamento não promove o crescimento, seja das instituições, ou de qualquer atividade humana. O mundo atual exige troca, discussão, contraste e controvérsia, mas também assimilação, portanto, o intercâmbio multidisciplinar é essencial para o crescimento de qualquer disciplina. O esforço implantado a partir da FEPAL para quebrar o isolamento em que vive a psicanálise deve continuar com vigor, imaginação e criatividade. Serão os pilares da nossa gestão, comunicação fluida dentro e fora da instituição. No interior, a integração e a pertença e para o exterior a ligação da nossa disciplina com o mundo acadêmico, cultural, científico e social. Fazermos parte da experiência humana e não apenas observadores distantes e oniscientes.

Sob estes parâmetros, queremos que os membros das comissões representem, como já vem fazendo, toda a região e que os coordenadores destas comissões sejam mais do que protagonistas, sejam catalisadores, coletores, motivadores e administradores da visão que a nossa disciplina pretende transmitir. Desta forma, buscaremos não só o funcionamento democrático no seio das comissões, como também integraremos a diversidade dos pontos de vista de nossa região.

Queremos que os nossos diferentes setores trabalhem de uma forma coordenada. Nesse sentido, propomos, por exemplo, que o ILAP (Instituto Latino- Americano de Psicanálise) o Departamento de Crianças e Adolescentes e o Departamento de Comunidade e Cultura, coordenem e organizem um evento conjunto, que estou certo, irá fortalecer e contribuir para uma maior enriquecimento dentro da nossa instituição. Acreditamos também que os órgãos tais como Bivipsil, Caliban e PPL (Pensamento Psicanalítico Latino-Americano) da mesma forma poderão coordenar esforços para uma ação conjunta. Nessa mesma direção, queremos que a Organização de Candidatos da América Latina (OCAL) também venha se juntar aos nossos projetos, nomeando um representante que funcione como promotor e elo de ligação. Desta forma estaremos formando àqueles que algum dia nos substituirão nestas funções. Funcionar como se fossemos compartimentos estanques, cria desconfortos, enquanto que a integração potencializa os recursos da instituição.

Em relação a Tesouraria, vamos continuar com os esforços valiosos que já foram feitos, não só para manter em ordem as nossas contas, mas para alocar recursos financeiros, principalmente em áreas onde o investimento poderá trazer ganhos para a instituição. Nós nos comprometemos a evitar gastos supérfluos e investir na divulgação, comunicação e investigação psicanalítica. Vamos prosseguir com uma política de austeridade e de cuidado com os gastos, e agradecemos o esforço que várias gestões tiveram no sentido de sanear a economia da instituição. Em relação a Diretoria de Sede, queremos organizar nossos recursos humanos, de forma a otimizar suas habilidades e talentos.

Na área de competencia da Diretoria Científica, queremos aprofundar os esforços na promoção da investigação dentro de nossas instituições, e estimular o intercâmbio científico entre elas por meio da criação de fóruns virtuais que congreguem diversas áreas de interesse, não apenas entre analistas mas, incluindo especialistas de outras disciplinas. Devemos ser capazer de criar conhecimento confiando que temos recursos e ferramentas para alcançá-lo. Dado que os Encontros Interregionais de Psicanálise de Crianças e Adolescentes têm provado ser um recurso valioso, penso que o modelo deva ser estendido para a Psicanálise de Adultos. Com um pouco de criatividade essas reuniões poderiam até mesmo se auto-financiar e, na minha opinião, devem abordar temas demandados pelo público do país onde se realizará o evento, bem como buscar a integração com outras especialidades e promover ativamente a participação estudantes e jovens profissionais. Enquanto fazemos ciência também divulgamos e irradiamos o nosso conhecimento. Estou confiante de que o Conselho de Presidentes da FEPAL irá apreciar esta iniciativa.

Por outro lado, assim como valorizamos os ganhos dos nossos encontros regionais, acreditamos que será igualmente benéfico fortalecer os laços inter-federativos, para o qual estamos trabalhando com a possibilidade de reiniciar encontros clínicos entre a FEPAL e as outras federações que reúnem colegas das demais regiões da IPA. Estamos convencidos de que essas atividades nos vitalizarão e recriarão nossa disciplina, uma vez que nos permitirá que nos miremos em um espelho de dupla face.

Ainda em relação à Diretoria Científica, o nosso maior desafio certamente, é a organização do Congresso Latino-Americano de Psicanálise, a ser realizado em Lima no mês de setembro de 2018. Decidimos, depois de longas deliberações com toda a equipe, que terá como título Desconstruções e Transformações. Queremos incluir neste evento, além do programa regular, um Simpósio sobre Mitos, bem como dar limites claros a uma atividade de Psicanálise de Crianças e Adolescentes, com a finalidade de promover a integração e o intercâmbio entre os colegas que estão envolvidos neste importante trabalho. Estamos também trabalhando com as diferentes vertentes que darão corpo ao nosso congresso que deverá ter uma orientação essencialmente clínica. A ideia é promover uma reunião científica de qualidade, não saturada e com espaço para discussão e participação do público presente. Continuando a tendência da atual gestão, estimular a discussão sobre o tema do Congresso em encontros prévios, fomentando um trabalho de preparação intenso que possibilite o desenvolvimento do tema em suas várias acepções. No Congresso de Lima, eu quero realizar algo que na verdade foi um sonho de juventude, a organização de um diálogo entre os ex-presidentes da FEPAL e os candidatos da América Latina, debatendo sobre a singularidade da psicanálise contemporânea.

A Diretoria de Publicações, articuladora chave da FEPAL deverá garantir uma comunicação precisa e fluida entre as várias diretorias conferindo eficácia e coerência ao trabalho da equipe. Externamente, o seu trabalho é fundamental fazendo a conexão entre as sociedades e os membros da FEPAL e sendo a sustentadora do nosso desejo de que a psicanálise expanda seu alcance e penetração em muitas áreas para fora do meio psicanalítico. Além disso, queremos criar a possibilidade de que os diferentes eventos que organizamos tanto em nível federativo como societário possam ser transmitidos pelo canal de televisão que temos no Ustream, não só para os membros da nossa comunidade, mas também para especialistas e organizações profissionais de outras disciplinas. Internamente, esta Diretoria apoiará todas as demais em seus esforços para manter contatos que não apenas divulguem, mas também estimulem e motivem os colegas e, potenciais colegas da região.

Em relação aos outros setores da nossa instituição continuaremos apoiando, juntamente com a IPA, ao ILAP, ao e-Journal (Psychoanalysis Today), aos Working Parties, aos quais solicitaremos, assim como aos vários comitês da FEPAL, que divulguem suas conclusões aos membros. Continuaremos desenvolvendo a Revista Latino-americana de Psicanálise -CALIBAN, sugerindo mudanças que contribuam para sua maior aceitação. Também consideramos essencial continuar a desenvolver tanto a Bivipsil (Biblioteca Virtual da Psicanálise da América Latina) como o PPL pela sua contribuição inestimável na construção da memoria científica da FEPAL.

O Departamento de Comunidade e Cultura tem como missão establecer elos entre o fazer psicanalítico e o ambiente sócio-cultural abordando o específico e o singular do local onde a psicanálise se desenvolve. Trata-se de reconhecer a influência que exercem os fenômenos históricos próprios de cada região sobre a clínica e a teoria de nossa disciplina, e de como a psicanálise continua crescendo e se desenvolvendo como mérito de seu entendimento original destes mesmos fenômenos, tanto na esfera privada como na pública. A FEPAL assegurará, por meio de seu Departamento de Comunidade e Cultura, que a nossa disciplina se fortaleça e se expanda, vinculando o pensamento psicanalítico à arte, literatura, história, sociologia, antropologia, educação, psicologia e neurociencias, favorecendo que a psicanálise seja chamada e apreciada no discurso público de cada país, bem como reconhecida a singularidade da valiosa contribuição do nosso olhar e da nossa técnica para a cultura.

Em relação à Diretoria de Conselho Profissional, além de funções regimentais previstas, como um órgão de assessoria e orientação aos membros da nossa Federação, pensamos que seria importante que em nossa gestão se lance um projeto de ajuda às sociedades que ainda não tenham, para que implementem um sistema de apoio para os colegas que estejam com problemas de natureza ética. Em nossa experiência, comitês de ética só tem recursos legais de sanção, mas não para assegurar o acompanhamento e a ajuda no processo de re-integração de colegas que, por qualquer motivo, tenham sofrido sanções e/ou estejam temporariamente afastados de suas sociedades. Este sistema poderia ser concebido e estendido para ajudar colegas que por causa da idade ou doença requeiram algum tipo de apoio institucional. Além disso, por meio desta Diretoria, iremos elaborar um censo dentro de nossa comunidade, com a finalidade de ter um padrão que permita identificar as diferentes afiliações e atividades que os colegas da região exerçam em outras instituições profissionais.

No que diz respeito à Diretoria de Crianças e Adolescentes, além de promover o trabalho já vem sendo feito por meio dos Encontros Interregionais e dos fóruns virtuais de discussão científica, eu tenho um desejo pessoal de promover duas coisas. Por um lado, eu acho que o nosso Congresso deve congregar os esforços dos colegas que têm trabalhos específicos na área de Crianças e Adolescentes, porque eu sempre tive a sensação de que esta especialidade, que deve muito a psicanálise, desvanece-se e perde a inegável força de sua presença. Encontramos a melhor maneira de alcançar esse desejo. Em segundo lugar, estou convencido de que a psicanálise de crianças e adolescentes merecem uma publicação própria. Uma possibilidade seria criar virtualmente. No entanto, sabendo os custos que tal projeto geraria na instituição, penso que um caminho possível para alcançar este objetivo, por agora, seria de que dentro da Revista Caliban seja criado um espaço para que textos relevantes de nossos especialistas possam ser divulgados. Esta é uma maneira de promover a discussão e a divulgação da psicanálise de crianças e adolescentes e sua contribuição para a teoria e prática da nossa disciplina.

Por último, gostaria de mencionar a equipe que formamos para se juntar a nós na exigente tarefa que temos pela frente. O Conselho Diretor está composto por: Adela Escardó (SPP, Peru) Secretária Geral; Gleda Brandão Araujo (SPMS, Brasil) Diretora Científica; Haydée Zac de Levinas (APdeBA, Argentina) Tesoureira; Maria Alejandra Rey (SAP, Argentina) Departamento de Comunicações; Jani Santamaría (APM, México) Comunidade e Cultura; Mônica Santolalla (SPC, Argentina) en Crianças e Adolescentes; Patricio Penailillo (APCh, Chile) Conselho Profissional e Ema Ponce de León (APU, Uruguay) como Diretora de Sede. Três deles já vem trabalhando na atualidade como membros suplentes da FEPAL e estão colaborando ativamente em suas respectivas Diretorias. Ter escolhido esta opção nos dá a oportunidad de manter uma continuidade de gestão em áreas tão importantes e complexas como o são a Tesouraria e Comunicações o que demandaria para alguem novo muitos meses de trabalho para familiarizar-se com sua respectiva área. Valorizamos a proposta da gestão atual no sentido de que, tanto quanto possível os suplentes de cada Diretoria colaborem ativamente com o Conselho Diretor, o que permite que um maior número de colegas se familiarize e se envolva com os destinos institucionais. Mesmo assim, pedimos aos suplentes que entrem em contato os responsáveis para que comecem a tomar conhecimento das peculiaridades da área. Quero dizer-lhe que há vários meses temos vindo a trabalhar em conjunto tentando em detalhes um por um a Directorías que compõem o Conselho de Administração. Em todo esse tempo eu aprendi a valorizar e reconhecer a experiência, generoso empenho, criatividade e vitalidade notável de cada um deles e eu aproveitar esta oportunidade para expressar publicamente o meu apreço e gratidão.

Os Suplentes que participam da gestão são: Stella Mohme (SPP, Peru) na Presidencia; Raquel Northcote (SPP, Peru) na Secretaria Geral; Clara Margulis (APdeBA, Argentina) na Tesouraria; Ana Rozenbaum (APA, Argentina) na Diretoria Científica; Ma. Elizabeth Cimenti (SBPPA, Brasil) em Crianças e Adolescentes; Luisa Acrich (SAP, Argentina) em Comunicações; Mercedes Gallinal (APU, Uruguay) na Sede; Naly Durand (SPM, Argentina) no Conselho Profissional; Adriana Villareal (APM, México) em Comunidade e Cultura.

A Comissão Fiscal em nossa gestão está composta por Camilo Jacome da Colombia, Maria Cecilia da Silva do Brasil e Margot Shrem da Venezuela. O primeiro dos nomeados assumirá a presidencia da Comissão. Estamos seguros que esta seleta equipe saberá resguardar a transparencia e honestidade no manejo das finanças de nossa instituição. Queremos que a Comissão Fiscal nos acompanhe ativamente nestes dois anos de gestão, tal como manda nossos estatutos.

Agradeço a confiança depositada em minha pessoa e me despeço, por um momento, esperando de voces compromisso, sugestões e críticas construtivas e, sobretudo, a amizade latinoamericana.

Muito Obrigado

Roberto Scerpella

Cartagena, 14 -9- 2016